sandro interage com o ambiente do zoologico enquanto decisoes judiciais sobre seu futuro seguem em andamento. credito dyana neres

Elefante Sandro reacende debate sobre permanência de animais em zoológicos

Prefeitura de Sorocaba recorre da decisão judicial que determinou a transferência do elefante Sandro para o santuário dos Elefantes (MT) e gera debate sobre o papel dos zoológicos na conservação e no bem-estar animal.


Há semanas, Sandro, o único elefante-asiático macho do Brasil, com 53 anos e morador mais antigo do zoológico municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), é alvo de debate sobre seu futuro. Biólogos e ativistas defendem sua permanência e a manutenção dos zoológicos como patrimônios a serem preservados. Já internautas, organizações de proteção animal e o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães (MT), indicam a transferência como a melhor opção para sua saúde e bem-estar.


Sandro chegou ao zoológico em 1982, resgatado de um circo, e desde então críticas sobre a instituição, que abriga 1.487 animais em 130 mil m², ganharam destaque, especialmente após a repercussão da disputa judicial iniciada em 2021 nas redes sociais. A gestão do zoológico e a prefeitura afirmam que o elefante recebe alimentação balanceada, acompanhamento veterinário diário e cuidados constantes. A bióloga Lauren Diniz, 24 anos, reforça: “O zoológico não tem fins lucrativos, eles pedem um valor simbólico que não cobre nem os custos de manutenção. Eles fazem reposição de espécies com risco de extinção e seu papel é fundamental na educação ambiental”.


O Santuário aponta falhas estruturais no recinto atual, como espaço limitado. Entre visitantes, comentários como “Que dó, ele vai morrer” mostram a preocupação do público. Lauren alerta, porém, que santuários no Brasil não possuem fiscalização efetiva. “A gente não sabe muito bem o que acontece ali dentro. Já houve dois casos de elefantas que não sobreviveram lá após serem transferidas”. Ela também destaca os riscos do transporte de um animal idoso, a possível rejeição por outros elefantes e o impacto da mudança na qualidade de vida e nos níveis de cortisol de Sandro. A especialista observa ainda que o termo “santuário” não é legalmente reconhecido no Brasil e que, mesmo nesse local, ele receberia visitas de um público que poderia pagar mais para realizá-las.


A reportagem tentou contato com a gestão do zoológico, mas não obteve resposta por falta de autorização das secretarias competentes. A prefeitura afirma que ajustes serão feitos para ampliar o espaço do recinto. A disputa envolvendo Sandro, que já dura três anos, se prolonga entre recursos, agravos e ações em tramitação. O futuro do elefante permanece indefinido, enquanto ele segue no zoológico de Sorocaba, aguardando novas decisões judiciais.

sandro em seu recinto no zoologico de sorocaba onde o elefante permanece desde 1982. credito dyana neres

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